Impasse político torna a recuperação da indústria mais lenta, dizem analistas

Depois de três anos consecutivos de queda, a retomada da produção industrial se desenhava lenta e acidentada. Por enquanto, as denúncias contra o presidente Michel Temer ainda não ameaçam essa recuperação, mas devem torná-­la
ainda mais vagarosa.

Entre março e abril, a Pesquisa Industrial Mensal ­ Produção Física (PIM­PF) subiu 0,6%, conforme divulgado na última sexta-­feira. O resultado veio acima do esperado pelo mercado. A média das 23 projeções de instituições financeiras e consultorias coletadas pelo Valor Data apontava para estabilidade no período.

"O número de abril foi o primeiro positivo neste ano", lembra André Macedo, gerente de coordenação de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela PIM­PF. Para ele, o setor ainda "tateia" o nível de produção a fim de ajustá-­lo ao nível de estoque.

As quatro atividades que puxaram o crescimento da produção em abril apresentaram forte queda em março na comparação com fevereiro.
Após cair 23,4% em março, a produção de itens farmacêuticos se recuperou, avançando 19,8% em abril. O setor de veículos automotores, reboques e carrocerias cresceu 3,4%, alta insuficiente para recuperar a perda registrada em março, de 6,9%.

Derivados do petróleo e biocombustíveis cresceram 2%, após recuarem 3,4%, e máquinas e equipamentos subiram 4,9% depois de caírem 3,3%. O comportamento de todos esses setores pode ser avaliado como "errático", segundo Macedo.

"A indústria está claramente tentando reagir à demanda do momento e ao estoque que ela própria possui", diz.

Fonte: Valor Online